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Gatos, caixinhas e ideias

Eu às vezes quero guardar tudo na minha cabeça. Ela é tão pesada. “Opero transfusões de luz nos seres opacos”, escreveu Jorge de Lima, e eu leio opaca, opaca. Minha memória fica voltando sem querer a algumas ceninhas que vivi, anos atrás, e a sensação que tenho é de que em algum momento vou entendê-las. Opero transfusões de luz para dentro de mim mesma, mas a luz é minha. As cenas que ilumino em mim são insignificantes e não precisam ser entendidas, como não preciso entender uma mosca que pousa nesta tela. Ela não diz nada sobre este texto, nada que valeria a pena tentar entender. Aos oito anos de idade eu fui em segredo ao banheiro com uma faca de manteiga na mão, assassinei o sabonete, e todo mundo me achou exagerada e riu. Esta é uma cena para onde eu gosto de voltar. Aliás, lembro que, nessa mesma época eu fechava os olhos e me esforçava para voltar para um lugar que existia dentro da minha cabeça — era um lugar que eu imaginava, porque ainda não tinha lugares na memória para visi…

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