quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Luís Quintais: Uma metafísica secular (3)



Para Stevens, a realidade ausenta-se para dar lugar à imaginação, mas realidade e imaginação, num contraponto cego (cujo desígnio último se afigura intratável), oscilam implicando-se uma na outra. Ou seja, as ordens da realidade e as ordens da imaginação assentam num tempo cíclico, num eterno retorno. Estamos perante uma cosmologia in the making que faz apelo a um fluxo em que caos e ordem se qualificam e metamorfoseiam sem cessar, e sem cessar porque a experiência humana se funda na mais pura contingência, na sua abertura ao que lhe escapa. O poeta é aquele que parece convocar habilmente esta abertura e a consciência desta abertura para o território da linguagem, ou seja, para o território do sentido. Sem realidade não há imaginação, sem imaginação a realidade é somente “vácuo”, como escreve ele nos seus “Adagia”. De outro modo, a poesia é sentido. De outro modo ainda, a questão mortal é o sentido e não a sujeição cega a um dos termos da equação “realidade-imaginação”.
 Stevens é assim o mais estranho dos poetas modernos. Ele faz da prática poética um exercício especular ou reflexivo (que reorienta intencionalmente a experiência de fragmentação moderna, dotando-a de um holismo que lhe é alheio), mas, em simultâneo, ele faz outra coisa: destrói qualquer ilusão de rigoroso controlo dos modos de fazer mundos. Stevens sabe, por exemplo, que as utensilagens que usa na sua entrega e tributo à imaginação não lhe pertencem inteiramente, reconhecendo não apenas que as coisas são mudadas quando as tocamos (quando a imaginação delas se aproxima), mas também que nem sequer temos o domínio dessa força eventualmente perigosa e disruptiva que se desencadeia no momento em que o poema se cria. Estamos perante um tema romântico que Stevens receberá de Blake.
O homem não controla os meios de expressão. A oficina absoluta do poeta moderno (e.g., Valéry, Ponge, Melo Neto, Oliveira) não será por certo uma das premissas da sua inteligência criativa. Se quisermos, Stevens é um poeta que exige que reconsideremos em muito a imagem que temos do trabalho oficinal do poeta moderno.
Bem mais próximo de Wittgenstein e das suas Investigações Filosóficas, Stevens ensina-nos que a linguagem não é espelho do mundo, que a linguagem exerce os seus privilégios próprios - ela age sobre o mundo, ela re-inventa-o sob a égide dos seus usos, em suma, das práticas que lhe damos (e tais práticas instalam-se num espaço onde o fazer não depende integralmente da consciência). Os meios de expressão excedem o poeta, que os molda como pode e não como quer. Os meios de expressão criam-se e recriam-se em acto na imperfeição em que tudo se perfila, uma imperfeição que se prende, tão-só, com a extrema fluidez e imprevisibilidade da experiência humana.
Wallace Stevens, mestre da meditação lírica, é, a seu modo, um poeta que faz da poesia uma arte prática. Dessa prática, tudo o que temos hoje é este vestígio cuja compreensão está fora de toda e qualquer vontade monumentalizadora ou entronizadora. Vestígio de uma metafísica secular em que a loquacidade da poesia, embora incomensurável com o poema, encontra, porém, o seu prodigioso eco nele. Um eco que, se quisermos, podemos e poderemos escutar vezes sem conta, sempre.

Luís Quintais

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Trecho do "Caderno cinzento" de Josep Pla

16 de Abril – Às vezes passeio pelas ruas com o objectivo exclusivo de olhar para a cara dos homens e das mulheres que passam. A cara dos homens e das mulheres que passaram dos trinta anos, que coisa tão impressionante! Que concentração de mistérios minúsculos e obscuros, à medida do homem; de tristeza venenosa e impotente, de ilusões cadavéricas arrastadas durante anos e anos; de cortesia momentânea e automática; de vaidade secreta e diabólica; de abatimento e de resignação perante o Grande Animal da natureza e da vida!
Há dias em que invento qualquer pretexto para falar com as pessoas que vou encontrando. Olho-as nos olhos. É um pouco difícil. É a última coisa que as pessoas deixam ver. Estremeço ao notar a escassa quantidade de gente que conserva no olhar algum rasto de ilusão e de poesia – da ilusão e da poesia dos dezassete anos. Da maioria dos olhos apagou-se todo o brilho pelas coisas abstractas e engraçadas, gratuitas, fascinantes, incertas, apaixonantes. Os olhares são duros ou mórbidos ou falsos, mas totalmente arrasados. São olhares puramente mecânicos, desprovidos de surpresa, de aventura, de imponderável.

Josep Pla
 Caderno cinzento vai ser em breve publicado na Cotovia como um dos primeiros títulos da preparada colecção "Grande literatura".

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Nem toda a gente é sensível a rimas internas, há até quem não saiba o que é uma rima interna e seja feliz, mas também há pessoas hiper-sensíveis a rimas internas e, entre elas, eu sou um caso de estudo. Nem toda a gente se enerva com advérbios de modo, há até quem não saiba o que é um advérbio de modo e seja feliz, mas também há pessoas hiper-sensíveis a advérbios de modo e, entre elas, eu sou um caso de estudo. Com os verbos a coisa muda de figura. Nem toda a gente é sensível a verbos, há até quem não saiba o que é um verbo e seja feliz, mas há também pessoas hiper-sensíveis a verbos e, entre elas, eu só sou um caso de estudo quando se trata da segunda pessoa do plural.
Este texto poderia seguir infinitamente em tom de brincadeira mas é um texto, para mim, seríssimo, como todos os textos em tom de brincadeira para quem os escreve. É que rimas internas, advérbios de modo e verbos fazem parte da vida de uma editora de uma forma avassaladoramente invasora. E para comprovar o que digo, coloquei nesta última frase o trio demoníaco.


Fernanda Mira Barros

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"Entre árabes e judeus" de Helena Salem

                                                                                                                                                                          © Simon Lourié

O que significa ser uma menina judia, de nome árabe a viver num país católico a frequentar escola protestante? O que significa ser uma jornalista brasileira, de origem judaica a cobrir uma guerra árabe-israelense, nos países árabes e com posições solidárias aos palestinianos? Em Outubro de 1973, a Guerra do Ion Kipur detonou uma situação limite na vida da jornalista Helena Salem. Escalada para cobrir o conflito, com o tempo amadureceu as suas reflexões: que guerra era essa, entre árabes e judeus? Nesta obra autobiográfica exemplar, a autora procura, com paixão, franqueza e autenticidade, juntar “a garotinha que se sentia judia e diferente no colégio, com a adolescente que jurou nunca casar na sinagoga e a correspondente de guerra que assumiu uma suposta origem árabe para circular livremente pelos Egito, Síria e as montanhas do Líbano”.


Na solidão daqueles primeiros dias (e de tantos, tantos depois), o desafio era ter coragem de sair do hotel, entender-me por mímica com as pessoas e tentar também entender o que se passava na cidade, no país. Por exemplo. Apenas anoitecia, e via todos a começarem a comer, inclusive sentados em rodinhas, nas calçadas. O que seria aquilo? Um certo pudor de perguntar diretamente (jornalista que se preze deve disfarçar a ignorância), até descobrir. Ramadã, jejum diurno praticado uma vez por ano pelos muçulmanos, durante um mês. Como o calendário islâmico é diferente do católico (assim como o judaico), eu não sabia que Ramadã, naquele ano, caía em Outubro. Também não sabia que o fato de ser mulher pudesse implicar tantas dificuldades. Parecia que não era possível eu estar lá apenas a trabalho. Não podia. Ou que o trabalho fosse outro. Tudo bem, devia então provar duas vezes meu objetivo, sendo tão valente e decidida quanto um “homem”. Isso, igualmente na relação com os desenvolvidos jornalistas europeus. Do contrário, sem erro, seria a velha máxima: vacilou, dançou.

                                                                          ***

(Inevitável. Impossível sair correndo, impossível mudar a história. Esta guerra pode levar a um não sei quê, e eu não posso sair fora. Que jornalista o quê? E se começam a bombardear o Cairo? E se eu morrer aqui? Que coisa mais estúpida! Se ainda fosse a revolução no Brasil… Mas morrer numa guerra entre árabes e Israel… não tenho nada a ver com isso. Que estupidez, meu Deus. E ainda mais sou judia. Não, ninguém, ninguém pode saber. No meio de uma guerra não importa o que a gente pensa, não importa o que a gente é, não numa guerra como esta. Nesta guerra, em princípio sou inimiga. Não haverá jeito de explicar, muito menos de provar. Ninguém pode saber. Nem Niccola, nem Mahmoud nem Alá nem Jeová.)



Helena Salem, autora de um dos títulos da colecção Judaica, Entre árabes e judeus, é mãe da escritora Tatiana Salem Levy. Tatiana colabora mensalmente com o Blog da Cotovia e seu livro A Chave de casa foi publicado na colecção Sabiá.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Argumentação matutina a respeito de Felicidade, de Raymond Carver



Ela entra no quarto passando pela única parte iluminada antes de se deixar cair na cama de bruços. Fixa os olhos numa fotografia colada à parede, balança os pés para frente e para trás. Para frente e para trás. Senta e me olha. Aquele olhar que afunila um turbilhão de imagens. “Marca 12º graus nesse termômetro, ele funciona?”
Ela continua me observando. Olho novamente para o termômetro, para a esquadria da janela, o parapeito. “Vemos melhor os contornos a essa hora, quando não temos o que dizer.”
Ela veste uma camisa masculina que vai até quase seu joelho e caminha para a cozinha. Ouço o barulho da chaleira e fecho os olhos imaginando qual o sabor do chá que ela escolheu, se segura a xícara com as duas mãos e se a perna direita está dobrada apoiada no joelho esquerdo, como costuma ficar quando está pensando. Ela é um tipo de mulher comum, talvez mais alta do que a média, tem os movimentos lentos e mexe os braços com a languidez das bailarinas.
O café esfriou rápido mas continuo segurando a xícara como se ela ainda servisse para esquentar minhas mãos. Penso nas mulheres e como são capazes de esquentar nossas mãos. Penso em como conheci Lia, no alto daquele trapézio, com um macacão de lycra vermelho, num movimento giratório desses que você prende a respiração para não atrapalhar. E, pela primeira vez, me vem a sensação de que atrapalhei sua vida, e de que ainda hoje não a conheço muito bem. Nunca conheci nenhuma das mulheres com quem me envolvi, estou sempre um passo atrás. Sinto um cheiro de milho e caminho em direção à cozinha. Avisto Lia de costas com a perna direita apoiada na esquerda abrindo a tampa da panela. Sento na mesa, os pratos ainda sujos com o farelo de ontem.
Ela senta no meu colo e começa a servir o cuscuz por cima dos farelos. Tem um cheiro doce de chá, de ervas flutuantes. Seguro seus quadris e encosto minha boca abaixo de seus cabelos presos num rabo de cavalo. Ela gira como no circo, e me sinto a presa mais fácil que qualquer domador pode encontrar.
“Vamos sair antes de clarear?” Concordo com um movimento de cabeça. Ela sorri e rapidamente veste uma meia-calça de lã e uma bota. Coloco meu chapéu e casaco. Ela me ultrapassa na descida da escada e abre a porta do prédio. Seguimos rumo a avenida que beira o rio, onde o vento bate mais forte.

Valeska de Aguirre

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Uma metafísica secular (2)



A poesia não é, para Stevens, a realidade, sequer a imaginação, ou esse “objecto” a que chamamos de poema. A poesia é uma meta-processualidade na qual se articulam realidade e imaginação. A poesia é um princípio holístico onde realidade e imaginação ganham sentido, mesmo que esse sentido seja, também ele, provisório. Dir-se-ia que há aqui uma cosmologia cuja exegese é improvável, já que Stevens se furta sempre, através de uma arte de prestidigitação sem paralelo na literatura de expressão anglo-saxónica do século xx, a quaisquer exercícios de interpretação final. Ele recusa-se a definir poesia, sem deixar, porém, de se confrontar com o problema. Por exemplo, explicita-o em The Necessary Angel de um modo que se me afigura, hoje, incontornável, dada a lucidez e humildade com que o faz. Assumindo a impossibilidade de definição, ele fala-nos aí, seguindo Shelley, de uma “faculdade” ou, adiante, recusando a ideia de se estar perante uma substância (uma espécie de essência que aguarda a intervenção iluminada do poeta para ser identificada), diz-nos tratar-se de “um processo da personalidade do poeta” que, em todo o caso, não pode ser atribuído ao poeta, à sua subjectividade, senão de forma indirecta. Mas sem a personalidade do poeta (sem esta relação indirecta com a sua personalidade), avisa-nos Stevens, não pode haver poesia, o que vem comprometer qualquer definição. Como virá ele a escrever em “Adagia”, as “definições são relativas”, e a “noção de absolutos é relativa”. Como virá ele a escrever no mesmo lugar, “o poeta é o sacerdote do invisível”.
O que interessa fundamentalmente a Stevens é a poesia e não o poema, ousaria afirmar. Ou melhor o que interessa a Stevens é esse momento, essa dobra no tempo, em que o poema é o vestígio de um deslocamento no interior da meta-processualidade a que ele chama de poesia, momento em que a imaginação parece sobrepor-se à realidade. A poesia é o princípio cosmológico (mas também o princípio fenomenológico já que estamos perante um aspecto da experiência humana) sem qual o poema não seria possível. E o poema ocorre quando a realidade se suspende, sob efeito de uma ausência que ele explicita, dando lugar à imaginação e aos seus sortilégios, ainda que essa emergência da imaginação seja apenas o produto de uma contingente assimetria entre realidade e imaginação que ocorre no tecido da experiência. 



Luís Quintais

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Karnak Café

"A bandeira de um país é um helicóptero." O fogo ateado por Mohamed Bouazizi em meados de Dezembro sobre o seu próprio corpo não levou mais de um mês a derrubar o poder na Tunísia. Corre entretanto de lés a lés por toda a faixa sul do Mediterrâneo, e mais além. Salpica até ao Iémen, à Jordânia, à Mauritânia. Corre além-fronteiras, por cima delas. Como a música de Karima Skalli, de Lofti Bouchnak, dos irmãos Joubran, de Rabih Abou-Khalil. Como a poesia de Adam Fethi, de Mahmoud Darwich, de Iman Mersal.

Os americanos passaram boa parte do século XX a implantar (a implementar, dirão alguns) ditaduras pela força. De há uns anos a esta parte, dedicam-se a derrubá-las pela força. "O massacre visto de cima: escultura." Mas os regimes (alguns) caem por si. Os direitos humanos não se transportam na ponta das baionetas, nem sobre tapetes de bombas, como dantes se levava o cristianismo aos índios americanos a bordo de caravelas e galeões. No momento em que escrevo, no Egipto Mubarak resiste ainda. Até quando? Estes regimes serviram bem os interesses das "potências ocidentais", que agora se apressam a dessolidarizar-se deles, apesar das gafes - como essa, monumental, da ministra dos Negócios Estrangeiros da França propondo o savoir-faire e o "profissionalismo" da polícia francesa para ajudar o regime de Ben Ali a manter a ordem - e hesitações, até se ver para que lado sopram os ventos dominantes. E já não estamos em maré de intervenções militares directas, como a franco-britânica de 1956 após a nacionalização do canal de Suez por Nasser. Mas Israel fica perto, atenção, e a situação geoestratégica do Egipto no xadrez internacional é muito mais complicada. E o espantalho do islamismo está sempre presente. Uma vez caído o comunismo, o islamismo tornou-se um bom substituto como alvo e alibi.
Na década de 60, nos tempos do café Karnak, comunismo e islamismo serviam ambos de pretexto para meter os jovens nos calabouços do regime, onde a tortura aguçava as línguas e macerava os corpos. O retrato que Naguib Mahfouz traça desses anos constitui um bom condensado do Cairo e do Egipto de então. Um dos estudantes presos, Ismail, vinha de "um meio miserável": "O meu pai trabalha num café e a minha mãe é vendedora ambulante. (...) Dos meus três irmãos mais velhos, um é aprendiz de talhante, o segundo carroceiro, e o outro sapateiro. Vivemos numa única divisão que dá para um pátio partilhado com mais de cinquenta pessoas, como uma grande família. Nem casa de banho nem água corrente, apenas uma latrina comum. A água é transportada em baldes..." E, no entanto, Ismail acaba por se formar em Direito, apesar da miséria, apesar das temporadas que passou na prisão. O quadro político-social, e sobretudo económico, do romance não é muito diferente da situação do Egipto ou da Tunísia de hoje, 50 anos mais tarde. No Egipto, onde 40 % da população vive com menos de dois dólares por dia, no princípio de Janeiro comi uma refeição por 4,5 libras egípcias (pouco mais de meio dólar), mas nos restaurantes chiques da capital a burguesia cairota desembolsa 50 ou 100 vezes mais por um jantar à beira-Nilo. E são estas desigualdades sociais imensas, e a sede de liberdade e de justiça, que estão na base das revoltas mais ou menos espontâneas, que aspiram a chamar-se revoluções, a que hoje assistimos supreendidos.

Entrem no Karnak. Puxem uma cadeira e sentem-se. Peçam um café, que vos trarão com um copo de água adjacente. A velha Qurunfula não perdeu o seu charme. Ouçam a voz poderosa de Mahmoud Darwish ("Quem sou eu para vos dizer / o que vos digo, / eu que não fui pedra polida pela água / para me tornar rosto / nem cana furada pelo vento / para me tornar flauta...") fundir-se com os ágeis alaúdes dos irmãos Joubran; folheiem Les Poètes de la Méditerranée, alguns dos quais estarão, ao que parece, em breve em Lisboa; saboreiem a voz dúctil e límpida de Karima Skalli, destinada a vir juntar-se às de Asmahan e Oum Kalthoum. Abram o vosso laptop e procurem um dos muitos discos de Rabih Abou-Khalil publicados na Europa. Deixem o Karnak, despeçam-se da hospitaleira Qurunfula. Não longe daí, com um pouco de sorte, poderão descobrir a música zar, trazida dos confins secretos da Núbia pelo grupo Mazaher até ao pequeno centro cultural Makan, na Rua Saad Zaghloul.

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Naguib Mahfouz, Karnak Café, Actes Sud, 2010 [1974].
Les Poètes de la Méditerranée (Anthologie), Poésie / Gallimard, 2010.
Gonçalo M. Tavares, Um Homem: Klaus Klump, Caminho, 2003.
Le Trio Joubran, À l'ombre des mots, World Village / Harmonia Mundi, 2009.
Karima Skalli, Wasla, Institut du Monde Arabe / Harmonia Mundi, 2006.
Rabih Abou-Khalil, Between Dusk and Dawn, Enja Records, 1993 [1987].
Mazaher, Zar Music & Songs, Makan (Egyptian Center for Culture & Art; e-mail: makan@egyptmusic.org; www.egyptmusic.org; tel: (202) 27920878), 2010.

   
                                                                                  
António Gonçalves traduziu para Cotovia peça de teatro "O Rapaz da Última fila" de Juan Mayorga e o livro de Le Corbusier intitulado "Conversa com os estudantes das escolas de arquitectura".