sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Odes, de Horácio

«Que pede um poeta a Apolo, a quem um templo
foi dedicado? Que suplica, derramando da pátera
um líquido novo? Nem as férteis colheitas
da fértil Sardenha,
nem o amável gado da ardente Calábria,
nem o ouro e o marfim da Índia, nem as terras
que o silente curso do Líris remordeja
com sua tranquila água.
Que a vinha seja com calena foice podada
pelos contemplados da fortuna, que em copos de ouro
o opulento mercador de um trago beba
os vinhos trocados por sírias mercadorias,
homem grato aos próprios deuses, pois todos os anos revê
impune três ou quatro vezes o mar atlântico;
quanto a mim, alimentam-me as azeitonas,
a chicória e as leves malvas.
Filho de Latona, faz com que saudável desfrute
daquilo que tenho, e que, rogo-te, de mente sã
leve uma velhice nem desagradável,
nem privada da cítara.»

Odes, de Horácio
(trad. Pedro Braga Falcão)

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