segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O dever de memória, Primo Levi

PROMOÇÕES JUDAICA

«O medo da morte, tanto quanto me lembro, não era qualitativamente diferente daquele que sentimos na vida normal. Hoje, apesar de sermos livres, sabemos todos que vamos morrer, e lá também não ignorávamos que a morte acabava por chegar: não daí a dez, vinte ou trinta anos, mas a poucas semanas, um mês. Estranhamente, isso não mudava grande coisa. O pensamento da morte era recalcado, como na vida corrente. A morte não pertencia ao registo das palavras ou dos medos quotidianos; sofríamos tão cruelmente da falta de tudo, de comida, de calor, era tão vital evitar o cansaço e os espancamentos que a morte, que não surgia como um perigo imediato, era escamoteada.»


O dever de memória, Primo Levi
(trad. Esther Mucznik)
Colecção Judaica

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