segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Judaísmo para todos, de Bernardo Sorj

PROMOÇÕES JUDAICA


«A memória é nossa condição de humanidade, mas também a principal fonte de sofrimento. Somos nossas lembranças. Memorizar é recortar o passado, esquecer quase tudo para poder lembrar de certos eventos e dar-lhes um significado determinado. Se a memória nos enraíza, dando um sentido de continuidade a nossas vidas como indivíduos e como membros de uma comunidade, ela também nos oprime. Retira-nos liberdade, nos obseda, transforma situações de aprendizado em experiências traumáticas e ressentimentos, aprisionando-nos no passado. Mas, se não existe presente sem passado, o passado sempre é vivido e interpretado à luz das realidades do presente. Se a memória não é aleatória nem totalmente maleável, ela constantemente é refeita e palco de conflitos (dentro de cada indivíduo e entre grupos sociais). A preservação da memória é sempre um exercício de poder, da capacidade de impor uma interpretação do sentido do passado.
O Holocausto é um caso exemplar de usos e abusos da construção de uma memória coletiva.»


Judaísmo para todos, de Bernardo Sorj
Colecção Judaica

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