sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Entre árabes e judeus, de Helena Salem

PROMOÇÕES JUDAICA
«Sempre ouvi dizer que os judeus-alemães estavam tão integrados na Alemanha que muitos nem acreditaram, a princípio, na realidade da perseguição nazista. Depois que superei minhas crises religiosas e tornei-me de esquerda, atéia, houve um tempo também em que me senti igual a todo mundo — ou melhor, a todo mundo que me interessava. Tão igual, talvez, como aqueles judeus-alemães. Até que, no Oriente Médio, e a partir daí, fui “redescobrindo” a diferença. Não, nem a sinagoga, o rabino, ou o projeto sionista passaram a me empolgar. Em verdade, talvez tenha redescoberto a diferença de cada ser humano. Sou judia, mulher, branca, gosto de vinho, literatura, cinema, Chagall etc. etc. etc. Meu vizinho é macrobiótico, não bebe; meu amigo do jornal é casado com outro homem, se amam. Não, mais uma vez não tento neutralizar o fato de ser judia. É que ser judeu, mulher, hetero ou homossexual, preto ou japonês, perdem a solenidade se incorporados como parte da nossa especificidade. Afinal, em sã consciência, quem pode determinar que um é melhor que o outro? Qual seria a referência — se não o poder — de quem pretende julgar? Se vou para a Islândia, eu morro de frio, ou infelicidade, mas o esquimó vive muito bem na terra gelada e certamente até curte. Quem é melhor, lá? E aqui — ontem, hoje, amanhã? Questão de olhar.»


Entre árabes e judeus, de Helena Salem
Colecção Judaica

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