quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A Agonia do Cristianismo, de Miguel de Unamuno

«A vida é luta, e a solidariedade para a vida é luta e faz-se na luta. Não me cansarei de repetir que aquilo que mais nos une, a nós homens, uns aos outros, são as nossas discórdias. E o que mais une a cada um consigo próprio, aquilo que faz a unidade íntima da nossa vida, são as nossas discórdias íntimas, as contradições interiores das nossas discórdias. Uma pessoa só fica em paz consigo própria, como Dom Quixote, para morrer.
E se isto é a vida física ou corporal, a vida psíquica ou espiritual é, por sua vez, uma luta contra o eterno esquecimento. E contra a história. Porque a história, que é o pensamento de Deus na terra dos homens, carece de uma última finalidade humana, caminha para o esquecimento, para a inconsciência. E todo o esforço do homem consiste em dar finalidade humana à história, finalidade super-humana, como diria Nietzsche, o grande sonhador do absurdo: o cristianismo social.»


A Agonia do Cristianismo, de Miguel de Unamuno
(trad. Artur Guerra)

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