terça-feira, 16 de agosto de 2016

Conversa com os estudantes das escolas de arquitectura, Le Corbusier


«Consideraram-nos como agitadores: cientistas, pensadores, sociólogos, artistas. Lá fora – no universo – assistia-se, paralelamente, às conquistas e à devastação de uma revolução técnica de que não poderia deixar de surgir, na hora fatídica, a conclusão filosófica: essa revolução das consciências que nos espera. Ora, técnica e consciência são as duas alavancas da arquitectura, nas quais se apoia a arte de construir. Assistiu-se à fractura, à derrocada de valores seculares, milenares. As velocidades mecânicas difundiam em todos os pontos do território uma nova informação. Uma vez violadas certas relações naturais, o homem viu-se de certo modo desnaturalizado, abandonou as suas vias tradicionais, perdeu pé, acumulou horrores por todo o lado, fruto da sua desqualificação: nas casas, nas ruas, nas cidades, nos subúrbios, nos campos. Um espaço edificado novo e invasor, imundo, burlesco, boçal, nefasto e feio, conspurcou paisagens, cidades e corações. Ultrapassaram-se os piores limites, consumou-se a catástrofe. O homem destes cem anos indestrinçavelmente sublimes e ignóbeis juncou o solo com os detritos da sua acção. A arquitectura está moribunda, viva a arquitectura!»

Conversa com os estudantes das escolas de arquitectura, Le Corbusier  (trad. António Gonçalves)

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