quinta-feira, 21 de julho de 2016

Satyricon, de Petrónio


«— Sócrates, o mais sábio dos mortais, na opinião unânime de homens e deuses, costumava gloriar-se de nunca ter remirado o interior de uma taberna nem demorado os olhos nalguma reunião formada por gente a mais. Até esta altura, nada se revelou tão recomendável como discorrer sempre com sabedoria…
— Tudo isso é verdade; — concedi — e pessoa alguma deverá atrair mais depressa a má sorte do que os que andam a cobiçar o alheio. De que iriam viver os vagabundos e os gatunos, se não lançassem para o meio da multidão, como engodo, caixinhas e saquinhos onde tilinta o barulho do dinheiro? Tal como os animais sem fala se deixam atrair pelo cevo, também os homens se não deixariam apanhar se não picassem o isco da esperança.»

Satyricon, de Petrónio
(trad. Delfim F. Leão)

Fellini-Satyricon (1969), Federico Fellini

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