quinta-feira, 28 de abril de 2016

Paraíso Perdido, de John Milton

«Deus falava, e a ambrósia dava hálito
Ao Céu, e entre os eleitos anjos bentos
Um inefável gozo se alastrou.
Sem par em verbo o Filho de Deus veio
Glorioso mais, nele todo o Pai fulgiu
Substancialmente expresso, e na face
Visível compaixão de Deus mostrou,
Amor sem fim, e graça sem medida,
Que proferindo assim ao Pai falou.
Ó Pai, gracioso o termo que fechou
A sentença, que o homem terá graça;
Pela qual terra e Céu te exaltarão
Em louvor, com sons e ecos desses sons
De hinos e cantos sacros, com que o trono
Envolto te ecoará, sempre bendito.
Deveria por fim o homem perder-se,
Criatura recente do teu mimo,
Teu benjamim cair destarte em logro
P’lo tolo que é?»

Paraíso Perdido, de John Milton
(tradução de Daniel Jonas)

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