segunda-feira, 28 de março de 2016

Remédios contra o amor, de Ovídio




















«(...) pôs em movimento o Amor cor de oiro suas asas preciosas 
e disse-me: “a obra a que te propuseste, conclui-a”.

A meus preceitos acorrei, jovens iludidos,
a quem o seu amor levou a completo engano;
aprendei a curar-vos com quem aprendestes a amar;
a mesma mão vos traz o golpe e o socorro.
Produz a terra ervas que dão saúde e produz também ela
ervas nocivas, e perto da ortiga cresce, não raro, a rosa.
O golpe que ela, um dia, havia feito ao filho de Hércules, seu inimigo,
a esse golpe, a lança vinda do Pélion lhe levou a cura.
Mas quanto foi dito aos homens e quanto vos foi dito, ó mulheres,
acreditai: aos vários contendores eu forneço armas;
e, se de tudo isso, algo há que vos não dá jeito,
pode, ao menos, com o exemplo, muitas lições ensinar.
É útil o que me proponho: apagar chamas implacáveis
e não manter o coração escravo do seu vício.»

Remédios contra o amor, de Ovídio
(trad. Carlos Ascenso André)


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