terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Ideia da Prosa, de Giorgio Agamben


Ideia do silêncio
«Numa recolha de fábulas dos fins da Antiguidade lê-se este apólogo: "Os Atenienses tinham por hábito chicotear a rigor todo o candidato a filósofo, e, se ele suportasse pacientemente a flagelação, poderia então ser considerado filósofo. Um dia, um dos que se tinham submetido a esta prova exclamou, depois de ter suportado os golpes em silêncio: 'Agora já sou digno de ser considerado filósofo!' Mas respnderam-lhe, e com razão: 'Tê-lo-ias sido, se tivesses ficado calado.'"
A fábula ensina-nos que a filosofia tem certamente a ver com a experiência do silêncio, mas que o assumir dessa experiência não constitui de modo nenhum a identidade da filosofia. Esta está exposta no silêncio, absolutamente sem identidade, suporta o sem-nome sem encontrar nisto um nome para si própria. O silêncio não é a sua palavra secreta - pelo contrário, a sua palavra cala perfeitamente o próprio silêncio.»



Ideia da Prosa, de Giorgio Agamben

(trad. João Barrento)

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