sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Ensaios Escolhidos, de T.S. Eliot


«É proverbialmente mais fácil destruir do que construir; e, como corolário desta afirmação proverbial, é mais fácil para os leitores apreenderem a faceta destrutiva do que a faceta construtiva do pensamento de um autor. Mais ainda: quando um escritor tem habilidade para a crítica destrutiva, o público fica satisfeito com isso. Se não tem uma filosofia construtiva, não se exige; se tem, não se lhe presta atenção. Isto é especialmente verdadeiro se nos ocupamos de críticos da sociedade, desde Arnold até aos dias de hoje. Todos esses críticos são criticados segundo um padrão comum, o mais baixo: o padrão do ataque brilhante a aspectos da sociedade contemporânea, que conhecemos e de que não gostamos. É o padrão mais fácil de adoptar. Porque a crítica trata de coisas concretas do mundo que conhecemos, e o escritor pode meramente ecoar, num fraseado mais elegante, os nossos próprios pensamentos; enquanto o acto de construir trata de coisas difíceis e desconhecidas.»

Ensaios Escolhidos, de T.S. Eliot
(tradução de Maria Adelaide Ramos)

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