quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Remédios contra o amor, de Ovídio




«Tu, que estás apaixonado, lugares ermos são-te nefastos; cuidado com lugares ermos!
Para onde hás-de fugir? No meio da multidão, podes estar mais seguro.
Não precisas de esconderijos (os esconderijos fazem crescer
o desvario); a turba-multa serve-te de apoio.
Triste é como ficas, se ficares sozinho, e o rosto da dama que deixaste
há-de plantar-se diante dos teus olhos, como se fora ela em pessoa;
é mais triste a noite, por isso mesmo, do que as horas de Febo;
para aliviares o penar, uma multidão por companhia é o que aí te falta.
Nem fujas do convívio, nem tenhas a porta fechada,
nem escondas na escuridão o teu rosto lavado em pranto.
Terás sempre um Pílades qualquer, para curar Orestes;
nesse momento, também, cultivar a amizade não é de somenos.»

Remédios contra o amor
Ovídio
(Tradução de Carlos Ascenso André)



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