terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Quando nós, os mortos, despertamos", de Henrik Ibsen

«Nestas peças, vemos os fantasmas avançarem.
E os velhos acabam por sair de casa - para a natureza, da qual a vida inteira se tinham protegido. Ela chama-os, expulsa-os e submerge-os.
E não é um fantasma a Irene que Rubek entrevê na véspera de começar "Quando nós, os mortos, despertamos?" A Irene que passeia no jardim, vestida de branco e seguida pela sua enfermeira-diaconisa e que a si própria se considera morta?
O intenso poder de Ibsen é fazer as suas peças ecoar apenas ofolhetinesco passado dos seus burgueses perplexos. O palco não é lugar de acção, mas remoinho, rebentação do que há muito foi jogado.»
Jorge Silva Melo, "E quando a Primavera Chegar"
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*Tradução da peça "Quando nós, os mortos, despertamos" por Fátima Saadi e Karl Erik Schollhammer

«RUBEK: (levantando os olhos do jornal) O que foi, Maja? Algum problema?
MAJA: É este silêncio, ouve.
RUBEK: (com um sorriso condescendente) E tu estás a ouvir?
MAJA: O quê?
RUBEK: O silêncio.
MAJA: É claro que sim!
RUBEK: Pois, talvez tenhas razão, mein Kind. Talvez seja possível ouvir o silêncio.
MAJA: Por amor de Deus, claro que é! Ainda mais quando ele é tão barulhento como...
RUBEK: Aqui na estância?
MAJA: Aqui na nossa terra. Claro, nas cidades há barulho e algazarra, mas mesmo aí... de certa forma... no barulho e na algazarra há qualquer coisa de morto.»

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