quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

As folhas caídas

Nada de muito diferente de há quarenta mil anos.
Estes alunos são ainda homens das cavernas.
Verdadeiramente totémicos,
os pré-históricos alunos
desenham falos em livros de encantar,
castigam as páginas de belos livros com
conspícuos e vigorosos membros
deteriorando os materiais, aviltando o texto,
sobrepondo à cândida ilustração
a sua leitura do mundo,
a sua arma de escolha.

As meninas ficam horrorizadas.
Nem falam.

As pinturas rupestres estão agora por todo o lado:
livros, carteiras, paredes
como nas paredes das cavernas há quarenta mil anos…
E em que é que estas diferem daquelas?
E o que é uma sala de aula senão uma caverna
e as paredes paredes?
Civilizações de permeio apenas,
a possibilidade de rinoplastia…

Eu olho-os com os seus occipitais protuberantes,
na depressão de testa e mento,
na fria latitude pleistocénica
desta caverna
onde Platão não tem lugar,
apenas o mamute que prenuncio lá fora,
gélido como um temporal,
proboscídeo, adventício,
anunciando a era do elefante.

As folhas caem. Os falos também…
Tudo está solto, caduco.
Estes alunos são os elefantes que o mamute anuncia.
E os genitais continuam a ser um modo de expressão,
de pôr trombas em todo o lado, epigramas
assomando nesta tarde cinzenta,

Enquanto tiro o olhar
pelo ponto de fuga da janela,
o meu olhar irreprimível
face aos lenhos
vigorosamente inscritos
na paisagem.


Daniel Jonas
O poema foi publicado no suplemento P2 do jornal Público na edição de 28 de Janeiro 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Prado do repouso


Ainda gosto do que vejo medita dona esmeraldina à janela do rés-do-chão da rua da torrinha, regando as sardinheiras com vagar e cumprimentando em silêncio a vizinhança. Embora o meu marido me tenha morrido há cinco anos, não, seis, não posso dizer que seja infeliz. Fui feliz com ele, continuo feliz sem ele. A minha mãe costumava dizer que logo nasci logo me ri. De modo que foi assim vida fora, vida dentro, apesar dos muitos dissabores. E de um desgosto tamanho que ainda hoje me surpreendo por ter sobrevivido. As minhas vizinhas são quase todas viúvas como eu. Há uma que até diz que nós é que temos sorte, que o marido dela não há maneira de bater a bota. E eu rio-me, pois claro. Quando ele abre a boca, pouco, é só para resmungar que a vida está isto e aquilo e é uma vergonha, é uma vergonha, no tempo do salazar havia ordem e respeito, tento nas línguas, tento nas línguas, ah pois havia, se havia, agora é tudo aos tiros pelas ruas, eu por mim nunca assisti a nada, alguns desacatos resolvidos a murro e bofetada e pouco mais, no outro dia um cão foi atropelado aqui na rua, deu três pulos a ganir e caiu redondo no asfalto, que pena que senti do bicho, ainda ouço os seus ganidos, talvez sejam mulheres a gemer, ou homens, que eles também sabem gemer, o meu marido gemia que era uma maravilha, os moços são todos uns mal-educados, prossegue ele voltado para trás olhando para dentro, e deve haver muito pouco para ver, e os pais são piores do que eles, bem, mas assim não sobra muita gente, pois não? Mais valia ele ficar calado, é o que ela diz, lavo-lhe e passajo-lhe as camisas, quando faz sol estendo-as no quintal nas traseiras, elas secam ao vento, devia era pendurá-lo também com duas molas a ver se arejava as ideias, duas, não, que ele é grande de largura e ainda me estragava as molas, já basta o mais, mas o quê, o homem quando mete uma coisa na cabeça nem vale a pena discutir, de resto ele tem sempre razão, grande sabichão, quando enviuvar hei-de arranjar um que seja mudo, prefiro falar sozinha, sempre me vou entretendo que nunca na vida me faltou assunto. Ou então arranjo um papagaio e ensino-lhe a dizer bom dia adozinda que linda que és, bom dia adozinda que linda que és, bom dia adozinda que linda que és, e sou, pois sou, quem é bonito é sempre bonito, é ou não é verdade, e eu namorei com muitos antes de casar, ainda hoje me pergunto como é que ele fez para me convencer. Envelheceu mal, foi isso, nem todas as pessoas são como o vinho do porto, os homens, então, são mais como jeropiga, sendo boas as castanhas sempre dá para acompanhar. É o que ela diz e a gente ouve e ri-se, pois claro.
Sim, ainda gosto do que vejo. Os mocinhos e as mocinhas de mão dada a passarinhar, os seus arranjinhos, os seus arrufos por tudo e nada, no outro dia um deles ia a beliscar as mamas da namorada e ela ralhava-lhe zangada, mas bem que gostava, oh sim, e depois os beijos, que bonitos, no outro dia eram dois homens, via-se bem que gostavam um do outro, o que não diria o marido da minha vizinha, dois rabos é o que eles são, um a levar e outro a dar, ao que isto chegou, até já não se dão ao trabalho de disfarçar, mas os beijos, os beijos, juro que chego a senti-los nas faces ou nos lábios, ou até, sim, até, assim como um golpe de vento ou uma leve aragem, e ainda me dá um estremecimento do corpo todo, uma sacudidela, que o meu marido tinha cá umas mãos, parecia aquele mágico, como é que ele se chama?, não descansava enquanto não me deixasse sossegada, saciada, e a sua língua era aventureira, ora arrojada ora delicada, de modo que fiquei com o corpo assim vivido, vivaço, as coisas fazem ricochete e doem e dão prazer, tudo me lembra coisas do passado, de rosto virado para a rua, tudo me lembra coisas do futuro que hei-de ver acontecer mesmo diante dos meus olhos ou eu não me chame. Esmeraldina.
Criámos um filho, o chiquinho, morreu com oito aninhos, um caixãozinho de pinho e as pazadas de terra aos soluços, ajeitei na cova o seu peluche preferido, um urso chamado pimpão cego dum olho e com uma orelha a menos, remendei-o primeiro, nenhum trabalho me custou tanto, foi para o meu menino não ficar sozinho, soterrado, morto de susto, e eu sem poder valer-lhe, ó mãe vem depressa meter medo ao susto, o que eu chorei, e o meu marido também, o que eu chorei, ó mãe e eu sem poder valer-lhe, cheguei a desistir de viver, fazia tudo igual, a costura para fora, nem sentia as picadas da agulha, os dedos enregelados pela dor, as compras, a cozinha, mas sem gosto, primeiro, sem desgosto, depois, e o meu marido também, até que um dia, quando fui visitá-lo ao prado do repouso, ia todas as semanas, amanhã é dia de lá ir, era primavera, hoje é outono, ou talvez fosse já verão, estavam as rosas em botão e eu olhei-as nos olhos e era o chiquinho a dizer mamã lembras-te quando me contavas as histórias dos avós quando tu eras pequena como eu, lembras-te como nos ríamos, e tu imitavas a voz do teu tio américo quando estava muito bebido e arrastava as palavras e não dizia coisa com coisa e tropeçava a caminho de casa, chamava nomes às estrelas, suas putas, suas putas, chiquinho não digas palavrões que é feio, suas putas, agarrado aos semáforos para não cair e a fazer manguitos aos carros que passavam, mamã, toda a vida que me faltou, tanta a vida que lhe faltou, foi o que eu pensei, sobrou tanta vida para viver, há para mim, há para os outros, não se pode desperdiçar, foi tudo isto que o chiquinho me disse e como poderia eu não acreditar, mesmo não querendo, e recomecei a querer outra vez, até o meu marido, durante dois anos mal nos tocámos, acho que ele ia às meninas ali para os lados da trindade, e eu, se não fosse a educação que me deram, mas não, não era capaz, então recomeçámos a fazer amor e por vezes chorávamos depois lembrando o chiquinho bebé a dormir entre nós os dois, como ele fora um rebento do nosso bem-querer, do nosso ardor, dos carinhos que ainda lhe devíamos e havíamos de dar-lhe até ao fim. E foi assim. Amando-nos continuávamos amando o chiquinho, pelo menos é isso que sinto, e nunca falei disso com o meu marido, mas acho que sentia o mesmo que eu. O padre armando disse-me mais ou menos isto, por outras palavras, pelo menos foi o que eu entendi, mas não era preciso, entretanto eu já sabia. Claro que ele falou em dever conjugal, e eu ouvi prazer e sei que ouvi bem que não tenho nem os ouvidos nem o corpo empenados, ah não. De resto, não costumo ir à missa, vou visitar o chiquinho, mudar-lhe as flores e limpar-lhe a campa. O urso pimpão às vezes deitado na pedra de olhos abertos a hibernar. As rosas, essas, é só esperar, de um ano para outro, lá no prado do repouso, e o buxo e outros arbustos, amores-perfeitos, dálias, violetas, o jardim onde o meu chiquinho agora anda de bicicleta com o pimpão abraçado ao peito, olha, mamã, olha, mamã, e eu, eu olho e olho e olho. Acho que é o mesmo, ou até melhor, pelo menos é aquilo de que sou capaz, deus há-de perceber, se é pai e mãe. Se é o amor de alguém.
De modo que sim, ainda gosto do que vejo. Com estes velhos olhos. Setenta e cinco anos já cá cantam, estou viva e recomendo-me, por vezes é um ruído ensurdecedor e então fecho os olhos para ouvir melhor. Se conhecesse um velhinho assim como eu, bondoso e charmoso, ainda era menina para lhe abrir a janela e lhe deitar a mão com o corpo todo, oh sim se era. Quando eu morrer, não fiqueis tristes. Pois ainda hei-de me rir e pôr o esqueleto a chocalhar, no céu ou em qualquer outro lugar, onde for que seja. Há quem tenha o que merece, há quem o que calha, a mim calhou-me a sorte de um coração alegre e tudo fiz para merecê-lo. E depois há o chiquinho, estou ansiosa por saber com o que é que ele se parece, oxalá nos reconheçamos. E o meu marido com aquelas suas mãos jeitosas, que o tempo não passa para certas coisas, pois não. E os vizinhos que já lá estão. Nós todos na conversa, puxando palavras umas atrás das outras, mortinhos de riso cuspindo os caroços, os comboios em campanhã chegando e partindo, o douro a baloiçar entre os penedos espumando gargalhadas esverdeadas rumo ao mar. Hoje convidei a adozinda para almoçar, disse-lhe traz também o teu marido, que não, que nem pensar, trago é uma garrafa de bom tinto lá da terra. Credo, cheira a queimado que tresanda, ah, meu deus, já me esquecia do arroz de pato, deve estar todo esturricado.
Dona esmeraldina precipita-se para dentro de casa apoiando-se na muleta, deixa a janela entreaberta porque nunca se sabe, sim, nunca se sabe, descontando tudo o que nunca saberei, as sardinheiras ao vento irrequietam-se, um violino soa pela clarabóia do conservatório. Na maternidade uma criança nasce e outra morre enquanto no palácio de cristal um pavão descobre o leque de círculos verdes pintalgado. Francisco, arrebatado, sustém a respiração e saliva o próprio coração que de tão crescido lhe desliza das mãos para o chão aparentemente desamparado.

Bénédicte Houart       

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Versos que lembram (7) Walt Whitman


Ainda antes de ler Walt Whitman, tinha lido a conhecida saudação ao poeta, de Álvaro de Campos. Retive desse poema algumas imagens estrondosas: a da ‘concubina fogosa do universo disperso’, por exemplo. A da ‘fraternidade feroz e terna com tudo’, por exemplo. A do ‘Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor’, por exemplo. E tornou-se-me inadiável ler o poeta que inspirava a outro poeta tão arrebatadas apóstrofes, tão entranhada fraternidade.
    E li. Não a totalidade das Leaves of Grass, que nunca tive à mão, mas uma longa série de poemas seleccionados por Van Nostrand e Watts, numa antologia de poesia norte-americana chamada The Conscious Voice.
    Não o li sempre com o mesmo prazer. Às vezes, confesso que aqueles extensos catálogos em que se compraz a cada passo, como que com ânsia de nada deixar por dizer, se me tornavam enfadonhos. Mas havia naquela verborreia, quase cacofonia, retalhos que me compensavam e comoviam.
    Os versos que mais me lembram são uma evocação da infância e da natureza (não são só isso, mas também são isso). Chama-se o poema “Out of the cradle endlessly rocking”. No garoto que sai furtivamente de casa, durante a noite, para os areais de Paumanock, gosto de me rever — sem nunca me ter atrevido a aventuras daquelas. E na curiosidade do mesmo garoto, a espreitar o quotidiano de um casal de mocking-birds (não cometerei a leviandade de traduzir por ‘cotovias’, como alguém fez com o romance de Harper Lee, To Kill a Mocking-bird), revejo a minha própria curiosidade, essa sim, realmente exercida nos campos de Trás-os-Montes. Podia ser eu o rapazinho destes versos que tantas vezes me lembram e comovem:

    […] Once Paumanock,
    When the lilac-scent was in the air and Fifth-month grass was growing,
    Up this seashore in some briers,
    Two feather’d guests from Alabama, two together,
    And their nest, and four light green eggs spotted with brown,
    And every day the he-bird to and fro near at hand,
    And every day the she-bird crouch’d on her nest, silent, with bright eyes,
    And every day I, a curious boy, never too close, never disturbing them,
    Cautiously peering, absorbing, translating. […]

    Ou seja, mais ou menos:

    […] Naquele tempo em Paumanock,
    Quando andava no ar o perfume do lilás e crescia a erva do quinto mês,
    Ao longo da praia, numa roseira brava,
    Dois visitantes alados do Alabama, os dois unidos,
    E o seu ninho, e quatro ovos verde-claro pintalgados de castanho,
    E todos os dias ele de cá para lá, sempre por perto,
    E todos os dias ela aninhada, silenciosa, de olhos brilhantes,
    E todos os dias eu, rapazinho curioso, nunca perto de mais, sem os perturbar,
    Espreitando discretamente, absorvendo, traduzindo. […]

A.M. Pires Cabral
   

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Uma leitura de Songlines de Bruce Chatwin

                                                                        Bruce Chatwin
                                

                                                                      Em memória de Ruy Duarte de Carvalho
                                                                              que um dia quis viajar pela Austrália


Apóstrofe às origens da humanidade? (Origens nómadas, migratórias, irreconciliáveis com a territorialização ou sedentarização que as cidades terão consentido.) Exercício de estilo em que os géneros se confundem e hibridizam? (Mito e memória, etnografia, narrativa de viagens, diário, aforismo, fragmento.) Síntese de uma particular perspectiva do mundo moderno em que este é de forma mais ou menos explícita demonizado? Tudo isto e muito mais, assim é Songlines!
Bruce Chatwin, como em nenhum dos seus livros anteriores, convoca neste uma forma de escrita que simula a desterritorialização e a disseminação dos mundos por si descritos e do projecto literário (e existencial) que os descreve. Aquele que se desloca, faz deslocar a escrita, mostrá-la como móvel, fluida, capaz de capturar, mas de captura improvável, instável, nómada. É neste projecto de deslocamento que emerge uma determinada imagem de um mundo aborígene australiano que tem por eixo os «trilhos (linhas) do canto» ou, a usar o impressivo título da edição portuguesa, o «canto nómada». Do que se trata afinal?
O livro tem um dos seus eixos numa determinada concepção do território (uma concepção desterritorializada) aborígene. Seguindo Chatwin, a Austrália assemelhar-se-ia a um imenso «labirinto de caminhos invisíveis», aquilo a que os europeus  designaram por «trilhos do Sonho» ou «Dreaming-tracks» ou, ainda, «Songlines», ou, de acordo com a versão aborígene (ou a tradução que dela temos), «Pegadas dos Antepassados» ou «via da Lei». O território australiano seria, nesse sentido, um território sagrado. Espaços que se percorrem, que se re-actualizam constantemente, e que, para Chatwin, escritor volante, cuja concepção de escrita se prende com o deslocamento (do pensamento, da mão sobre a página, do corpo que se desloca numa superfície, página, pele, geo-grafia), se afirmam como espaços emblemáticos da sua (dele, Chatwin) presença nomeável. Os aborígenes são descritos em Songlines como grupos que sustentam a sua visão do mundo – como se existisse uma visão do mundo aqui em jogo – numa forma de «passeio» ou Walkabout cujo significado não se compraz com quaisquer formas de territorialização conhecidas pelos ocidentais.
Seguindo Chatwin, a geografia é aqui sagrada, sendo que uma «earthbound philosophy» parece permear o corpo desse gigantesco território que é a Austrália. Num diálogo com o seu cicerone e amigo Arkady, um etnógrafo e activista russo que se dedicava a mapear os territórios aborígenes, é-nos dito que a terra, sendo sagrada, deverá permanecer intocada, tal como fora criada, i.e, cantada, pelos Antepassados no «tempo do Sonho» ou «Dreamtime». O canto é, de acordo com Chatwin, sinónimo de criação. Perante as observações de Arkady em torno disto, Bruce acrescenta: «Rilke [...] teve uma intuição semelhante. Também dizia que o canto era existência», ao que Arkady remata «Eu sei [...] “O Terceiro Soneto a Orfeu”». (Bruce Chatwin, O canto nómada, Lisboa, Quetzal, p. 21). O soneto de Rilke é revelador pois mostra-nos a densidade ontológica que, para Chatwin, se faz inscrever nos trilhos do canto australianos. «Cantar é ser», como nos diz Rilke. «Gesang ist Dasein». Tal como os mitos aborígenes de Criação falam de seres totémicos lendários que terão percorrido o continente no tempo do Sonho cantando o nome de tudo o que lhes surgia no caminho, e conferindo existência a esse território cantado, percorrer os trilhos do Sonho deverá ser encarado como uma re-criação ou revisitação desse tempo original. Arkady, uma espécie de Virgílio improvável, transporta Bruce, e com ele cada um de nós, para um mundo onde cantar não é somente um modo de regresso e revisitação ritual a uma origem, mas também um mapa ou vector. E, aí, o tempo converte-se em espaço. Bruce interroga então Arkady: «Ao dizer episódio – perguntei – refere-se a “sítio sagrado”? Ao que Arkady responde: «Exactamente». (id., p. 24). Dir-se-ia que esta conversão de um tempo sagrado numa paisagem sagrada é, segundo Chatwin, um dos aspectos mais importantes da visão do mundo aborígene. Uma parte considerável da tragédia da territorialização forçada procede de uma incompreensão de fundo deste tipo de processo em que o tempo se converte em espaço e em que esta conversão depende de uma viagem: a viagem do canto emblematizada por aquele que canta. Fazer o mundo e fazer o mundo de novo, eis o que está aqui em causa.
Uma espacialização do tempo sagrado é assim mediada pelo canto. Singing the world into existence. Para os aborígenes o mundo reactualiza-se através do movimento e do canto, sendo estes modalidades de uma cartografia de geometria variável, eminentemente criativa, disponível para o que há de virtualmente infinito e desterritorializável. O «ruído» será, afinal, uma das acepções plenas dessa abertura. E os trilhos uma criação sempre renovada de imprevisíveis vozes que se deslocam.

Luís Quintais

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Antoni Tàpies (1923-2012)


El més gran mestre de la pintura del meu país: les tres coses, mestre, pintor i català, en grau màxim.

Un home sencer

El peix més gran i més vermell de la tenassa


El mayor maestro de la pintura de mi país: las tres cosas, maestro, pintor y catalán, en grado máximo.

Un hombre de una pieza

El pez más grande y más rojo del arrecife litoral




Miquel Barceló em homenagem a Antoni Tàpies que faleceu aos 88 anos no dia 7 de Fevereiro 2012.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Livrinho de teatro nº61



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