quinta-feira, 29 de março de 2012

E agora


E agora enquanto ledes estes poemas
- vós cujos olhos e mãos eu amo
- vós cujos olhos e boca eu amo
- vós cujas palavras e mentes eu amo -
Não penseis que estava a tentar defender uma causa
Ou construir um cenário:
Procurei escutar
A voz pública do nosso tempo
Procurei sondar o nosso espaço público
O melhor que pude
 - procurei lembrar-me dos pormenores e
Ser-lhes fiel, registar
Exactamente como o ar se movia
E onde estavam os ponteiros do relógio
E quem tinha a seu cargo as definições
E quem se limitava a acatá-las
Quando o nome da compaixão
Foi mudado para o nome da culpa
Quando sentir com um humano estranho
Foi declarado obsoleto.

Adrienne Rich (16 de Maio de 1929 – 27 de Março de 2012)
 

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