segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sábado (mais um muito irritado)

Manuel Wiborg e Pedro Lima em SOU O VENTO de Jon Fosse

Mas será obrigatório escrever português em inglês?

Por todo o lado vejo anunciada a peça de Jon Fosse que será apresentada no Festival de Almada como EU SOU O VENTO. Realmente, em norueguês o título é EG ER VINDEN; e em inglês também I AM THE WIND, são línguas que não dispensam o pronome. Mas em português não é preciso dizer EU a todo o momento (até é tão feio como invocar o nome de Deus em vão, diziam-me) e a peça foi traduzida e está editada com o belo título SOU O VENTO (cotovia /artistas unidos). E até já foi lida em cena no São Luiz. Numa escrita que liga tanto à economia (não a do ISEG, sim a do Gastão Cruz...), a diferença é grande entre uma frase com três acentos tónicos e uma com dois. E traduzir Fosse é traduzir uma música bem especial. Até há bem pouco tempo, os títulos das peças traduzidas seguiam os das edições, agora bem sei que pouca gente que escreve sobre teatro ainda faz aquela coisa antiga que é ler. Mas será obrigatório mesmo escrevermos português com as obrigações sintácticas (quando não vocabulares ou mesmo parvas como "defeito"/ por "default") do inglês? Não quero. (E, estão a ver, não precisei de pronome para desobedecer à horda jornalística).


Jorge Silva Melo


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