segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sábado (expectante)


E pronto, este foi um sábado de expectativas, é o Festival de Almada que vai abrir, teatro por todo o lado, o génio de Ferruccio Soleri, que logo nos deslumbrou aquando da sua primeira visita ao São Luiz, trazido pela Fundação Gulbenkian 1968?, e interpretando o que para tantos é "o mais belo espectáculo de sempre", o Arlequim Servidor de Dois Amos de Goldoni, encenação de Giorgio Strehler ( editado onde? na Cotovia, claro - onde também encontramos O Teatro Cómico do mesmo autor). E vai haver René Pollesch, turbilhão berlinense; e o "Ela" de Jean Genet; e Karl Valentin/ Luiza Neto Jorge no São Luiz; e nós levamos os "Brilharetes" de Antonio Tarantino a um espaço fora de todas as portas, ao Telheiro dos Silos da Romeira, mesmo à entrada da Cova da Piedade; e no final, "Sou o Vento"  a extraordinária e enigmática peça de Jon Fosse, agora dirigida por Patrice Chéreau. Textos. Textos ( editados onde? nos Livrinhos de Teatro... da Cotovia, claro...) que quis fazer ("Sou o Vento" lemo-lo nós, perante os Reis da Noruega, há dois anos), textos que irei fazer, textos que amigos fazem, textos que já fiz. Embora o dogma da Inquisição Contemporânea (o jornalismo) seja que o teatro não é literatura, tenho antepassados maravilhosos (basta um? Goethe...)  a pensar e a dizerem-me o que devo dizer: que é no palco que culmina a arte das palavras, a que se julga chamar literatura, é na comunidade dos espectadores que desagua o gesto literário, é perante a noite das dúvidas que a junção das palavras nos promete a madrugada.( E há ainda Daniel Veronese, iconoclasta argentino tão imperfeito como penetrante. E Joel Pommerat. E o François Chattot e a Martine, esses meus amigos de há tantos anos, actores que nascem das palavras).

Jorge Silva Melo

Sem comentários:

Enviar um comentário