segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sábado (ando com saudades da poesia)







Bem sabemos, mas lembramos pouco. Nem sempre foi o livro que fez andar a literatura, é coisa recente. E sei lá se não acaba, o livro. Há sábados, aqui em casa, pela manhã, depois do sumo de laranja, sem nada mais que fazer, em que me dá saudades da poesia, sim. E agora meto-me pelos caminhos do Youtube (dizem-me que navego, mas eu prefiro caminhar) e vejo esta cantiga. Já a vi em muitos concertos de Jacques Dutronc, esta versão é do ano passado, o cantor está ainda pleno, distanciado, como se nada fosse com ele, indiferente, preguiçoso. Onde está a poesia nesta música de Jacques Dutronc? Decerto que está nas palavras extraordinárias e extraordináriamente brincadas de Claude Lanzman (sim, o realizador de "Shoah", o secretário de Jean-Paul Sartre),  que podemos ver e ouvir ( e ganhar o dia) linkando para aqui:

Jacques Dutronc "Il est 5 heures, Paris s'éveille" @ Zenith Nantes 2010.01.29 HD

"Je suis le dauphin de la place Dauphine
Et la place Blanche a mauvaise mine
Les camions sont pleins de lait
Les balayeurs sont pleins de balais
Il est cinq heures
Paris s'éveille
Paris s'éveille

Les travestis vont se raser
Les stripteaseuses sont rhabillées
Les traversins sont écrasés
Les amoureux sont fatigués

etc etc"
Mas está na suspensão, a poesia está no silêncio que ele cria, nessa arte sublime de Dutronc de fazer esperar a solução, de partir a palavra, de suspender o verso, de resolver abruptamente uma sílaba. Pois é, às vezes penso que a literatura deveria sempre ter sido oral, e então a poesia.


Jorge Silva Melo

1 comentário:

  1. Não vás contar do entardecer
    por entre o bosque frodoso,
    e que meu rosto ficou a arder
    depois de teu beijo amoroso...

    Nem contes de meu coração
    que fugiu do peito e voou
    nas asas de qualquer ilusão
    que a mim inda não voltou...

    E muito menos desfies o rol
    do que vimos da alta escarpa,
    nem tragas aquele por do sol
    nem os acordes de que harpa...

    Nem o que se veio a seguir
    com a lua feiticeira a mirar.
    Deixemos a vida prosseguir
    e o resto alguém o vá adivinhar

    13-10-2009 Maria Cotovia

    Estes e mais poemas encontram-se no site LUSO-POEMAS onde escrevo com o nick "Mariaa"

    Peço desculpa pela intromissão e desejo felicidades editoriais.
    Ao inteiro dispor a amiga,
    Maria Augusta. Braga

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