sexta-feira, 18 de março de 2011

Serei sincera. Não gostei. (Lola, Rainer Werner Fassbinder)



A poesia é sempre triste. A alma sabe mais do que a mente. O cabelo preso de lado. Uma mulher cai nos braços de um homem. Duas mulheres tomam chá. Duas mulheres rosadas da Prússia Oriental. Duas mulheres que fumam.

Sugiro que dê respostas precisas a perguntas precisas. Se quer saber a verdade, o que me interessa são as pequenas possibilidades. Pois a este respeito tenho lá minhas ideias e porque acho apaixonante.

Tenho fraqueza por chás exóticos, pela cor azul. Acende um charuto e me olha. Não conhecemos a natureza humana. Lola, este homem não é para você. Um beijo na mão é o mesmo que trinta garrafas de champanhe. Não entendo a maneira como ele pensa.

Uma questão de vida ou morte. Indiretamente. O dia não depende de minha aparência. Diretamente. Um homem no escritório. Uma mulher na cama. O homem acende o charuto e senta. A mulher mostra os dentes. Jogam xadrez. Serei sincera.

A mulher rosa de luvas brancas. De olhos grandes. Faz um pedido e prende a respiração.
Não olhe para trás. A magia mais difícil faço sozinha.

No banco do jardim. Outro cigarro. Outro cigarro. Outro cigarro. Por que a cidade não é boa para mim? Este véu em meu rosto. Este passear de língua nos lábios te deixam de olhos bem abertos. Talvez um dia descubra quem você é. Olha para cima. Enquanto descobre quase nada sobre mim.

A noite é igual ao dia. Quer minha ficha completa? Ou quer me beijar? O homem azul toca violino. O humanista toca na banda do bordel e mastiga alguma coisa.

Datilografo. Toda música tem um fim. Interesso-me por todas as paixões. Uso o cigarro para misturar o café.

Ela olha para ele. Ele olha para ela. Ela desvia o olhar. Ele desvia o olhar. Ele sai de cena. Ela não esquece a fala.

Por que só lê poemas tristes? Está roubando isso de um filme.


Valeska de Aguirre

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